Desde tenra idade já nutria o gosto pela eletricidade, talvez devido à influência do seu irmão Fernando Branco já trabalhar nessa área. Aos 16 anos inscreveu-se num curso de eletricidade em Saint- Gilles com a duração de 3 anos e apos o curso foi estagiar para uma empresa de gerência portuguesa a Ribelec. Após o curso de electricidade frequentou mais um ano na área de gestão o que lhe permitiria abrir a sua própria empresa. Queria ser independente, ficou na Ribelec mais 3 anos após o estágio e em 2013, com apenas 21 anos criou a empresa Vision Line em sociedade com o seu irmão, que tinha chegado à Bélgica em 2011. A empresa era especializada em duas áreas, eletricidade e tetos falsos. Tetos falsos era a área em que o seu irmão e o pai trabalhavam nessa altura na Bélgica. No fim de 2013 o irmão regressa a Portugal e Diogo Branco fica com a empresa, mas só dedicada à área de eletricidade. Em 2018 a Vision Line muda de nome para Nortech.
A Nortech com 6 anos de existência é já um marco notório na área da eletricidade. Conta com uma carteira de clientes maioritariamente belga, embora esteja disponivel para trabalhar com todas as nacionalidades. Actualmente emprega 10 funcionários e alguns sub empreiteiros, mas Diogo lamenta a falta de mão de obra, afirmando que existe muito trabalho, mas a dificuldade em encontrar pessoal é um grande obstáculo, assim como os elevados impostos que a Bélgica exige às empresas para a contratação de pessoal.
Diogo Branco pensa que a juventude já não opta por este tipo de actividade e por essa razão a empresa já não responde a alguns concursos para obras pois sabe que não terá poder de resposta no que respeita a recursos humanos. As pessoas com mais de 40 anos ainda vão ficando, mas a faixa etária entre os 20 e os 40 ainda vem e tenta trabalhar, acham que não é tão pesado como a construção, mas mesmo assim não ficam muito tempo. Na realidade compreendem que a área de eletricidade não é só mudar tomadas e interruptores, internet, tic-toc, etc.

Ainda com respeito às leis do trabalho na Bélgica, considera cada vez mais dificil a situação dos empresários, não conseguem suportar os impostos, diz que gostava de declarar como assalariados todos os elementos da empresa, mas é muito difícil. Na maior parte das vezes as empresas têm de recorrer ao estatuto de sócios ativos. Como exemplo diz que para além do salário que paga ao trabalhador tem de pagar valor igual para os impostos, ou seja, um funcionário acaba por custar dois salários à entidade patronal.
Diogo foi pai há um ano e meio, a sua esposa já nasceu na Bélgica, mas diz que Portugal está sempre no coração. Desloca-se várias vezes a Portugal, entre outras razões, também por questões profissionais, pois criou uma empresa da mesma área em Portugal.
Questionado sobre a comunidade portuguesa na Bélgica, acha que as pessoas deveriam ser um pouco mais humildes, mesmo na área da construção verifica que existe muita inveja uns dos outros, ou porque um tem mais empregados que o outro ou mais trabalhos, etc. Esses comportamentos acabam por não ser positivos. Está consciente que se todos se apoiassem mais uns aos outros tudo seria diferente.
Diogo Branco é fundador e administrador da FEPB, afirma que entrou neste projeto pelo contributo, que na sua opinião, poderia dar aos empresários portugueses na Bélgica. Deixa um apelo aos jovens… Todos podem ser empreendedores, mas aconselha os que têm essa ambição, a definir metas e a lutarem por elas sem nunca desistirem nos bons e nos maus momentos.
Texto: Paulo Carvalho
