Paulo Ramos é natural de Vila Real, aldeia de Sanguinhedo, chegou à Bélgica no dia 1 de maio de 1989 com apenas 16 anos de idade. Ainda estudava e a viagem que era apenas um passeio nas férias da escola tornar-se-ia numa viagem para muitos anos. A verdade é que, ironia do destino ou não, foi ficando por cá e foi ficando até aos dias de hoje.
Pensou ainda em regressar para cumprir o serviço militar, mas até aí o seu destino estava marcado para não ir embora, pois assim sendo ficou livre de cumprir o serviço militar… O motivo não foi por ter alguma incapacidade, mas porque os cidadãos nascidos no seu ano passaram à reserva. Ficou um pouco dececionado, pois um dos seus sonhos era cumprir e seguir a carreira militar, mas assim sendo tudo foi alterado e não haveria volta a dar. Acabou por ficar na Bélgica onde já tinha uma irmã.
Começou a trabalhar na construção, lembra que na altura mal podia com um saco de cimento que eram na altura de 50 kg, mas nunca desistiu. As saudades de Portugal eram muitas, mas sabia que neste país poderia ter uma vida melhor. O pensamento era sempre o mesmo “no próximo ano vou-me embora”, mas foi ficando.
Foi aprendendo a arte e com 18 anos de idade já era chefe de uma empresa com gerência portuguesa. Ajudaram-no muito e fica eternamente grato pois foi quem lhe deu a mão e acreditaram no seu potencial. O voto de confiança que davam a um jovem daquela idade era um risco muito grande, mas foi essa a alavanca para o futuro promissor que tem agora no ramo da construção.
Mais tarde investiu, em sociedade com outro português, na abertura de um comércio “Café André” o nome desse seu amigo de quem guarda muitas saudades. Embora tenham mantido o estabelecimento alguns anos, não tinha muitos conhecimentos na área, foi a amizade ao socio e à família deste que o fez continuar. Quando o Sr. André faleceu saiu da sociedade ficando a esposa do mesmo com o negócio. O seu objetivo seria sempre a construção, local onde poderia ganhar mais dinheiro e assim a família do amigo continuaria com o negócio que se prolongou por muitos anos.

Trabalhou numa empresa com gerência portuguesa durante 10 anos como sócio ativo até que surgiu a possibilidade de constituir a sua própria empresa a BATI TUGA com um familiar, empresa de construção geral. Anos mais tarde saiu da empresa e vendeu a sua parte ao seu sócio.
Entretanto, assumiu outra empresa, de um colega flamengo, mas que estava inativa a PSS. Essa empresa foi também vendida, pois a empresa PSS obteve muitos contratos, mas infelizmente houve um grande numero de clientes que não cumpriu com as suas obrigações financeiras, e deixaram a empresa numa situação financeira complicada e sem possibilidade de cumprir os seus objetivos.
Em 2015 constitui a sua própria empresa, a INTER GEBOUW, também na área da construção. Em todos estes anos dedicados a construção são muitos os clientes que ainda o seguem. Foram passando de empresa para empresa e afirma que tem clientes que já o seguem há mais de 20 anos.
O grande volume de negócios da empresa está na zona flamenga da Bélgica. Gosta de salientar alguns clientes, mesmo sabendo que dispensam apresentações pela sua presença no mercado, como a DEMOCO, BEZIX, AIMENS ou ainda, antes de ser vendida a BEZIX entre outras subcontratadas.
A empresa contou sempre, em média, com a colaboração de 20 funcionários.
Ao fim de todos estes anos continua com o pensamento em Portugal mas nas suas palavras “ … o dinheiro está aqui”. Sobre Portugal pensa que vai solucionar esse problema brevemente, pois recebeu algumas propostas para avançar com grandes obras em Portugal e assim poderá passar algum tempo por cá e por lá. Já tem uma empresa constituída em Portugal para assumir esses projetos, que neste momento ainda está inativa. Paulo Ramos acha que a emigração mudou muito, já não existe aquele coração amigo de há 30 anos. Naquela altura íamos bater à porta de um amigo, fosse pelo que fosse éramos logo ajudados. Hoje em dia é tudo muito diferente, as pessoas ficaram mais egoístas. Até mesmo os próprios funcionários que trabalharam para ele acabam por não reconhecer o bem que receberam. Diz que é com grande pena que, muitas vezes, se vê obrigado a empregar pessoas de outras nacionalidades quando na verdade preferia dar opção à nossa comunidade. Mas tem esperança que tudo possa melhorar.
www.intergebouw.be
Chaussée de Ruisbroek, 83/3 – 1190 Forest
Tél: +32 486 562 831
Texto: Paulo Carvalho
