Temos que recuar até ao ano 2000, data em que Alfredo Macedo natural de Vila Nova de Gaia, decidiu criar a Grani-Pierre. Ao fim de 24 anos esta empresa continua a ser uma referência na área da construção, mais concretamente na colocação de pedra natural e são inúmeras as fachadas na Bélgica construídas ou renovadas por esta empresa.
Alfredo Macedo já trabalhava no ramo da construção civil em Portugal. As dificuldades eram muitas, tinha 7 irmãos e a ideia de lutar por uma vida melhor fez com que em 1991 aceita-se um contrato de trabalho de uma empresa portuguesa para vir trabalhar para a Bélgica. Conta que ao fim de duas semanas já estava a trabalhar diretamente para a empresa belga, a mesma que tinha subcontratado a empresa portuguesa. Trabalhavam nessa empresa mais de 50 portugueses, mas por motivos desconhecidos esta acabaria por abrir falência dois anos depois. Viu-se novamente com dificuldades, mas nunca baixou os braços. Enquanto ficou no fundo desemprego continuou a procurar trabalho pois não queria ficar parado e foi nessa altura que optou por outra área mais concretamente a hotelaria no café Douro, que ainda hoje existe na Rue de Russie. Nessa altura voltou a Portugal para casar com a namorada, que já tinha há 8 anos e que é até aos dias de hoje a sua esposa mãe das suas duas filhas. Regressou à Bélgica com a sua esposa Claudia Morais para iniciar a sua nova vida agora com a responsabilidade de ter a sua própria família.
Claudia não se deu bem na área da hotelaria e iniciava assim a sua nova etapa de vida na área dos títulos de serviço. Na mesma altura Alfredo voltaria também para aquela que era sem dúvida a sua área a colocação de pedra natural, sendo empregado até ao ano 2000 na empresa Marbrerie St. Jean, aquela que se tornou, e é até aos dias de hoje, parceiro da empresa Grani Pierre que criou nesse ano.
Com outro colega, António Ferreira, decidiu arriscar e partir para a aventura de abrir uma empresa, assim nasce a Grani-Pierre. A sociedade durou 1 ano e meio, mas a dado momento Alfredo Macedo pensou que seria melhor seguir sozinho, comprou a António a parte dele e ficou a ser o único dono da empresa.
Na altura empregava somente 4 homens, mas a crescente solicitação de trabalhos talvez derivado às boas apreciações dos clientes e o profissionalismo iriam dar origem a um grande salto da Grani Pierre e passou a contar com mais de 40 empregados. Atualmente são 23, não pela falta de trabalho, mas pela dificuldade em encontrar profissionais e também pelos encargos que as empresas têm de pagar ao estado, é quase insustentável para as empresas cumprirem as leis sociais e outras na Bélgica.
Alfredo Macedo diz que já não está para se incomodar muito, pensa ficar por cá em funções mais 5 anos, depois disso o seu tempo será repartido entre Portugal e a Bélgica. Diz que antes era mais fácil ensinar, as pessoas tinham mais necessidade de aprender. Está mesmo convencido que são áreas onde cada vez mais será difícil encontrar profissionais, na Bélgica ou em Portugal, acabando a geração dos mais velhos os jovens partem para outros horizontes.
Aquela que poderia ser uma aventura de algum tempo passaria a ser de muitos anos. Não se arrepende, acha que já deixa legado… sente uma grande nostalgia ao passar em frente a grandes construções onde a Grani Pierre teve intervenção e destaca: Gare du Midi, Gare Central, Aeroporto de Charleroi onde fizeram todo o trabalho de pedra existente, o Aeroporto de Zaventem em todas as 25 lojas da segunda fase que conta com mais de 1 km de lojas.
Tem pena que a comunidade portuguesa seja menos unida que nessa altura, nota uma grande divisão entre a comunidade. Mas continua a creditar na juventude porque o futuro a eles pertence.
Texto: Paulo Carvalho
