Em Portugal estava na área da carpintaria, mas por intermédio de um familiar veio para a Bélgica em agosto de 2007. Estava cansado de trabalhar naquela área, sempre no espaço fechado da fábrica onde permaneceu durante 9 anos. Na Bélgica começou a trabalhar na Delleuse, empresa belga com mais de 50 anos de experiência dedicados a telhados. Ao fim de 5 anos é convidado para ser chefe de equipa e conta que foi um desafio enorme, exigia que fosse ele a ter o contato direto com os clientes, a deslocar-se e casa deles. Embora tenha aprendido na escola um pouco de francês e mesmo estando na Bélgica há 5 anos ainda tinha algumas dificuldades na parte da comunicação, mas acabou por contornar essa questão e o que parecia ser uma dificuldade acabou por ser uma mais-valia. Foi um desafio que desenvolveu na sua pessoa um gosto pela área.
Em 2018 nasce a sua filha e a empresa DS Toiture. Foi uma nova aventura, tanto em termos pessoais como profissionais, muito estressante abrir a empresa na altura do nascimento da sua filha, mas diz que se não fosse pela força que a sua esposa Sandra Costa lhe deu teria talvez ficado por ali. Tinha em mente que poderia abraçar um projeto próprio e acabou por ser a persistência de Sandra a convencê-lo a criar a empresa. Procuraram um contabilista, de preferência português, seria mais fácil para ambos, e é nessa altura que conhece (por intermédio do Guia dos Portugueses na Bélgica editado pelo Portugalnet) o seu contabilista Filipe Sequeira da empresa S&T Accountacy.
DS Toiture é essencialmente uma empresa posicionada na área dos telhados e coberturas. Com uma clientela maioritariamente belga e privados exerce pouco no meio empresarial.
Diz que a qualidade dos seus serviços se traduz pela dedicação e empenho que investe nos trabalhos realizados. Grande parte da promoção da sua empresa é feita pelos clientes e amigos que demonstram assim a sua satisfação pelos trabalhos executados pela DS Toiture.
Gostaria de poder aceitar todos os trabalhos que lhe são solicitados, mas devido à falta de mão de obra não lhe é possível. Atualmente já não é fácil encontrar mão de obra em várias áreas, mas para esta especificamente muito menos. Apesar de hoje os trabalhadores deste setor estarem muito mais protegidos, o que não acontecia antigamente, continua a ser muito difícil, nota-se que tem vindo a piorar desde 2020.
Tanto Sandra como Daniel gostariam que a comunidade portuguesa fosse mais unida, nota-se uma grande diferença de 2007 para 2025, havia mais humildade… as pessoas nessa altura tinham gosto em ajudar e descobrir tudo o que fosse português, hoje está tudo mais distante. As pessoas ficaram estranhas, talvez por causa do covid (risos), quando as pessoas pedem ajuda parece que afinal não precisam…, raramente aceitam os conselhos, parece uma necessidade que não é necessidade, talvez este conceito esteja alterado e não seja uma necessidade, mas sim um consumismo que se instalou.
Sandra gostava que os portugueses se unissem, mas pela humildade e amizade, não para evidenciar os bens materiais, seria mais saudável. Por vezes sente saudades dos velhos tempos, onde parecia que nada desses bens materiais tinham significado.
Confessa que tem muito medo do futuro dos filhos vendo a forma como a sociedade está a avançar. Sempre falaram com os dois filhos a língua portuguesa em casa, assim têm noção que ambos falam bem a língua do país onde estudam e a língua materna. Diz ser uma mais-valia para as crianças para o seu futuro e até na facilidade de contato com a família quando vão a Portugal.
Texto: Paulo Carvalho
